
Acordei em 2012. Abri as cortinas e estava tudo como em 31 de dezembro de 2011. As notícias são as mesmas, as pessoas são as mesmas, as merdas são as mesmas. Nada mudou. Não é porque é o primeiro dia do ano que um milagre vai fazer as pessoas amarem o próximo ou serem mais educadas. Há coisas que não mudam nunca. Quem quer mudar não fica postando isso no Facebook. Quem quer vai e faz.
I woke up in 2012. I opened the window and everything was the same as at 31 December 2011. The news are the same, the people are the same, the shit are the same. Nothing changed. Not because it’s the first day of the year that a miracle will make people love their neighbors or to be more polite. Some things never change. Who wants to change does not get posting this on Tumblr. Who wants to go and do.
”- Rapunzel, jogue suas tranças. Rápido!
Ao notar a urgência no chamado, ausente da costumeira doçura, Rapunzel largou a escova e foi a passos largos até o suporte onde prendia os cabelos. Não demorou a sentir o peso, e ajudou com puxadas, tentando amenizar a dor no couro. Menos de um minuto e seu amado surgiu no parapeito. Sua expressão não era das melhores: havia medo nos olhos. Agonia.
Antes mesmo de chegar ao topo, ele se atirou para o quarto, rolando pelo assoalho de madeira escura. Rapunzel reprimiu um grito ao ver a perna direita pela metade. O que restara pendia estraçalhada.
- O que aconteceu?
O rapaz não conseguiu formar palavras. Gemidos de dor eram o máximo que escapava dos lábios trêmulos. Rapunzel correu até a janela, seguindo o estranho som que agora se tornava mais claro. O grito dessa vez não foi reprimido.
A torre de Rapunzel estava cercada por uma pequena multidão de pessoas, e aumentava à medida em que outras vinham da floresta. Grunhiam como animais, e esticavam as mãos ensanguentadas para o alto. Não queriam apenas as tranças de Rapunzel.
Queriam sua carne.”

“The flower that was needed for the potion bloomed only every teen years, at winter, on the summit of the highest mountain. He tooked his backpack and headed there with confidence. The wizard promised the potion would bring his beloved back to life. He climbed up and wait. It was only nine years, eleven months and fourteen days left.”
“A pequena fada, presa em uma armadilha feita de galhos emaranhados, foi pega pelas mãos do ogro escuro e peludo. Rápida, cravou os minúsculos dentes sob a unha do dedo do tamanho de um tronco e conseguiu escapar, deixando o monstro para trás, uivando de dor. Ao virar os pinheiros, encontrou um grupo de belos elfos e, feliz, pediu ajuda. Um deles a pegou e a prendeu em uma gaiola, enquanto outro se desculpava, não entendendo como ela conseguira escapar de sua armadilha. As asinhas seriam de grande valia para o grupo. As venderiam por uma fortuna.
Enquanto isso, o ogro sentia o ardor da mordidinha, sem entender a falta de gratidão por tê-la salvado.”

“Ele se esgueirou de mansinho até a janela de seu quarto e espiou pela cortina. A lua cheia despontava no céu escuro, logo acima do morro do cemitério. O velho Moisés, cego de nascença, não demonstrava a menor dificuldade em passar pelas lápides, sorrateiro. Então ele viu o velho Moisés, o vendedor de cocadas que as crianças adoravam, erguer a cabeça e se transformar em algo grande enquanto suas juntas se quebravam assustadoramente. Ele correu de volta pra cama no momento em que ouviu o uivo.”



